3 de abr. de 2011

Oriente Próximo e Nascimento das Primeiras Cidades (1o ano)



Para estudarmos o nascimento das grandes civilizações sugeri o texto de Aymard e Auboyer: "A tarefa de dominar as terras e as águas" aí vai:


A tarefa de dominar as terras e as águas 

Foi nesta vasta região, designada hoje pela cômoda expressão de Oriente Próximo, que se formaram as duas mais antigas das grandes civilizações vizinhas da bacia mediterrânica: no Egito e na Mesopotâmia surgem as pri­meiras criações impressionantes, em virtude do esforço humano de que nos dão testemunho.

A vantagem que o homem destas regiões leva sobre os seus semelhantes de outras partes [...] se justifica, grandemente, pelos próprios favores da natureza. Trata-se de duas regiões de planícies ou de vales, às quais [...] grandes rios vindos de fontes longínquas [...] trazem água e, com ela, o humos necessário à vegetação. Assim, no meio de uma zona de desertos [...] encontram-se reali­zadas as condições favoráveis ao nascimento de dois oá­sis de extensão e fertilidade sem rivais nas margens, ou, mesmo, a certa distância do Mediterrâneo.

Bastou, portanto, que o homem, através de experiêcias que nos escapam, aprendesse a explorar estas ter­ras abençoadas. Trabalho aparentemente simples, mas cuja real dificuldade não pode ser negligenciada. Ao mes­mo tempo que descobria e aperfeiçoava suas técnicas agrícolas, o homem precisou dominar a água, combater os seus excessos, tão prejudiciais como a sua escassez, repelir os pântanos, bem como os desertos, cavando e mantendo toda uma rede de canais de drenagem ou de irrigação. Conquistar a terra, em suma, a fim de forçá-la a uma fertilidade disciplinada.

A atividade individual, para a realização de uma tarefa de tal amplitude, estava condenada à impotência. O ho­mem nada teria conseguido de eficaz, se não se tivesse organizado em grandes comunidades [...] e se não tives­se dado a estas uma estrutura política e social apta a coordenar o estudo, a realização e o emprego de traba­lhos de interesse coletivo. Faziam-se necessários os gui­as, quando não os chefes, suficientemente respeitados para que sua autoridade não fosse incessantemente pos­ta em dúvida. [...].

Para dar ordens e obter seu cumprimento, os guias necessitaram, pois, de uma autoridade particularmente forte. E esta só podia surgir de um conjunto de crenças religiosas que impunham ao homem uma submissão to­tal, uma considerável redução, senão o próprio aniquila­mento de sua atividade individual e como que sua fusão num complexo de trabalho disciplinado.
AYMARD, André e AUBOYER, Jeannine. “O Oriente e a Grécia Antiga: Civilizações imperiais do Oriente. In: CROUZET, Maurice. História Geral das CivilizaçõesI. Rio de Janeiro: Difel, 1977, p. 11 e 12, apud PETTA, N.L. e OJEDA, A.B. História: uma abordagem integrada. São Paulo: Moderna, 1999, p. 12.


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